Diversificação em Pauta: Das Oportunidades na Renda Fixa com Letras de Câmbio aos Desafios dos ETFs de Tecnologia

O cenário atual de investimentos exige que o investidor brasileiro esteja atento tanto às oportunidades locais de renda fixa quanto às dinâmicas complexas do mercado internacional de ações. Para quem busca rentabilidade superior à da poupança, mas não abre mão da segurança, a Letra de Câmbio (LC) surge como uma alternativa robusta, embora menos conhecida que os tradicionais CDBs. Apesar do nome sugerir alguma relação com moedas estrangeiras ou comércio exterior, este título não possui vínculo com operações cambiais, tratando-se estritamente de um ativo de renda fixa emitido por financeiras.

Entendendo a dinâmica das Letras de Câmbio

A estrutura das LCs é bastante similar à dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs), LCIs e LCAs. A principal distinção reside na instituição emissora: enquanto os primeiros são ofertados por bancos, as LCs são emitidas por financeiras. Ambas as instituições integram o Sistema Financeiro Nacional e são reguladas pelo Banco Central, contudo, as financeiras são organizações menores, sem rede de agências ou contas correntes, e focadas em crédito. Justamente por oferecerem um risco ligeiramente superior aos grandes bancos, essas instituições costumam remunerar melhor seus investidores para atrair capital, tornando as taxas das LCs bastante competitivas.

Ao investir em uma LC, o investidor está, na prática, emprestando dinheiro para a financeira em troca de juros. Existem três modalidades principais disponíveis no mercado. A LC prefixada oferece previsibilidade total, com a taxa de retorno definida no momento da compra, independentemente das flutuações futuras dos juros. Já a modalidade pós-fixada acompanha o CDI, beneficiando-se em cenários de alta da taxa Selic. Por fim, a LC híbrida combina uma taxa fixa com a variação da inflação (IPCA), funcionando como uma ferramenta eficiente de proteção do poder de compra a longo prazo.

Barreiras de entrada e perfil do investidor

Um ponto de atenção para quem deseja incluir LCs na carteira é o ticket médio de entrada. Diferentemente de outros produtos de renda fixa que aceitam aportes mínimos baixos, as Letras de Câmbio podem exigir investimentos iniciais mais elevados. Embora algumas instituições aceitem aplicações a partir de R$ 1.000, não é raro encontrar ofertas que demandam aportes na casa dos R$ 10.000, o que acaba restringindo o acesso e explicando, em parte, por que são menos populares que o Tesouro Direto ou CDBs de liquidez diária.

A transição para a renda variável internacional

Enquanto a renda fixa local oferece proteção e previsibilidade, investidores com maior apetite ao risco buscam diversificação no setor de tecnologia dos Estados Unidos. No entanto, estratégias diferentes podem levar a resultados discrepantes. Um exemplo claro é a comparação entre o fundo First Trust Dow Jones Internet Index Fund (FDN) e o popular Invesco QQQ Trust (QQQ), que replica o índice Nasdaq-100. O FDN propõe uma abordagem alternativa baseada em pesos iguais para empresas de internet, visando mitigar o risco de concentração.

O FDN rastreia o Dow Jones Internet Composite Index e mantém posições em cerca de 42 empresas focadas na internet, como DoorDash, Snowflake e Cloudflare. Sua maior posição, a Meta Platforms, representa pouco mais de 10% dos ativos. A tese por trás desse fundo é que uma cesta diversificada de negócios digitais pode capturar o crescimento da economia digital sem depender excessivamente do sucesso de uma única gigante corporativa. O fundo realiza rebalanceamentos automáticos, vendendo as ações que subiram muito e comprando as que ficaram para trás, mantendo a equalização da carteira.

Desempenho e o peso das Big Techs

Contudo, a realidade dos números recentes mostra um cenário desafiador para essa estratégia de pesos iguais. No último ano, o FDN entregou um retorno de aproximadamente 8%, um número modesto quando comparado aos 18% do QQQ. A diferença torna-se ainda mais gritante no horizonte de cinco anos: enquanto o QQQ valorizou 97%, o FDN avançou apenas 27%. O principal fator para essa disparidade é a ausência de exposição a gigantes como Nvidia, Apple e Microsoft no portfólio do FDN. Estas empresas, impulsionadas principalmente pelo boom da inteligência artificial, foram as grandes responsáveis pela performance estelar do índice Nasdaq.

Ao optar por uma estratégia de pesos iguais, o investidor do FDN acabou subexposto a empresas como Amazon e Meta durante seus períodos de maior valorização. Além disso, há a questão dos custos operacionais. O FDN cobra uma taxa de administração anual de 0,49%, quase o triplo dos 0,18% cobrados pelo QQQ. Somado a isso, o rebalanceamento constante gera maior rotatividade de ativos, o que pode resultar em ineficiência tributária. Portanto, seja na escolha de uma Letra de Câmbio no Brasil ou de um ETF de tecnologia no exterior, a análise criteriosa dos custos, riscos e da composição do ativo permanece sendo a regra de ouro para a construção de patrimônio.