Oportunidades globais: estratégias e ETFs para investir nos EUA, da Renda Fixa à Inteligência Artificial

O mercado financeiro norte-americano, com sua profundidade e liquidez inigualáveis, continua sendo um destino prioritário para investidores que buscam diversificação e proteção patrimonial. O cenário atual, marcado por juros em patamares que historicamente chamam a atenção, cria uma janela de oportunidade tanto para quem busca a segurança da renda fixa quanto para quem almeja a multiplicação de capital via renda variável.

Com trilhões de dólares em circulação, o mercado de ETFs (fundos de índice) nos Estados Unidos oferece soluções para todos os perfis, desde o conservador que quer dolarizar sua reserva até o arrojado que busca exposição ao boom da tecnologia. A seguir, compilamos uma análise abrangente de ativos essenciais para compor uma carteira robusta, unindo a solidez dos títulos de dívida à potência das ações de crescimento.

O atrativo dos juros e a Renda Fixa

Para quem está começando a olhar para o exterior, o momento dos juros americanos é um convite difícil de ignorar. Cauê Mançanares, CEO da gestora Investo, destaca que as taxas elevadas permitem retornos na casa dos 5% ao ano em dólar, algo extremamente atrativo para o investidor brasileiro acostumado com a volatilidade cambial. No entanto, em um universo com quase 600 opções apenas na renda fixa, a seletividade é crucial.

A porta de entrada mais segura costuma ser através de ativos com alta liquidez e baixo risco de crédito, conhecidos como investment grade. Mançanares alerta que o investidor iniciante deve evitar o mercado de high yield (papéis com maior retorno e maior risco) para não ser surpreendido.

Nesse segmento, o gigante Vanguard Total Bond Market (BND) se destaca. Gerido pela Vanguard, ele possui um patrimônio superior a US$ 93 bilhões e foca exclusivamente em ativos com grau de investimento. Sua taxa de administração é ínfima, cerca de 0,03%, o que é padrão para ETFs eficientes, onde o custo raramente supera 0,15%. Outra alternativa de peso é o iShares Core Aggregate (AGG), da BlackRock, que segue uma filosofia similar de exposição ampla ao mercado de dívida dos EUA.

Para quem busca diversificação geográfica sem sair da bolsa americana, o Vanguard Total International Bond (BNDX) oferece acesso a títulos de dívida com grau de investimento emitidos fora dos Estados Unidos, servindo como um contrapeso interessante na carteira.

Volatilidade e a curva de juros longa

Existe uma demanda crescente por títulos de longo prazo, impulsionada pela aposta de que o Federal Reserve (o banco central americano) eventualmente iniciará um ciclo de corte de juros. A dinâmica é clara: quando os juros caem, o preço unitário dos títulos sobe, gerando ganhos de capital na marcação a mercado.

Contudo, essa estratégia exige estômago. Títulos longos são os que mais sofrem oscilações. Se a inflação americana surpreender para cima, esses papéis perdem valor momentaneamente. Para investidores com apetite a esse risco e que miram a valorização futura dos títulos, o iShares 20+ Year Treasury (TLT) é a referência de liquidez, investindo em papéis do Tesouro americano com vencimento acima de 20 anos.

Construção de patrimônio com Renda Variável

Enquanto a renda fixa preserva, a renda variável é o motor da multiplicação de patrimônio no longo prazo. Mesmo começando com aportes modestos, como US$ 1.000, a consistência dos investimentos — estratégia conhecida como dollar-cost averaging — aliada ao tempo e aos juros compostos, pode construir fortunas.

A fundação de qualquer carteira de ações nos EUA invariavelmente passa pelo S&P 500. O Vanguard 500 ETF (VOO) oferece exposição instantânea às 500 maiores empresas americanas. É um ativo que reúne os líderes globais de diversos setores e que, historicamente, supera a grande maioria dos fundos de gestão ativa. Com um retorno médio anual robusto na última década, ele serve como o “feijão com arroz” essencial do investidor.

Aceleração via Tecnologia e Inteligência Artificial

A última década foi dominada pelas ações de crescimento (growth), e essa tendência se intensificou com a revolução da Inteligência Artificial. Para capturar esse movimento, dois ETFs se destacam: o Vanguard Growth ETF (VUG) e o Invesco QQQ Trust (QQQ). O primeiro foca na parcela de crescimento do S&P 500, enquanto o segundo rastreia o índice Nasdaq-100. Ambos são pesadamente alocados em megacaps de tecnologia e líderes em IA, entregando retornos expressivos nos últimos anos.

Para quem deseja um foco ainda mais cirúrgico, o Global X Artificial Intelligence & Technology ETF (AIQ) é uma opção sólida. Diferente dos índices puramente americanos, o AIQ aloca cerca de 35% do portfólio em empresas internacionais, permitindo exposição a gigantes como Samsung, TSMC e Alibaba, além das tradicionais techs do Vale do Silício. O desempenho recente desse fundo reflete o otimismo global com o setor.

Dividendos e qualidade

Nem só de crescimento vive o mercado. Investidores que preferem menos volatilidade e um fluxo de renda recorrente encontram no Schwab U.S. Dividend Equity ETF (SCHD) uma alternativa equilibrada.

O diferencial do SCHD é sua metodologia: ele não busca apenas empresas que pagam muito, mas sim companhias saudáveis, com fluxo de caixa livre robusto, dívida controlada e histórico de crescimento consistente dos proventos. Embora seus retornos totais possam ficar atrás dos ETFs de tecnologia em ciclos de alta agressiva (“bull market”), ele oferece um yield interessante e historicamente supera a categoria de fundos de valor, servindo como uma âncora de estabilidade na carteira.